quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Os Discípulos em Éfeso

O segundo incidente incomum está descrito em Atos 19.1-7. Paulo iniciara a terceira das suas famosas viagens missionárias e chegou em Éfeso. Ali ele encontrou uma dúzia de homens que, a julgar pela descrição que Lucas faz deles, nem parecem ter sido cristãos. É verdade que eles são chamados de "discípulos" (v. 1), mas isto não precisa significar mais do que discípulos professos, assim como se diz do mago Simão que ele "abraçou a fé" (8:13), apesar do contexto mostrar que ele só tinha dito crer.
Comentando uma outra passagem da Escritura, Charles Hodge, o erudito de Princeton, do século passado, escreveu: "A Escritura sempre fala das pessoas de acordo com o que elas afirmam de si; com isso chama de crentes os que dizem crer, e de cristãos os que confessam Cristo".7 Paulo perguntou àqueles homens em Éfeso se tinham recebido o Espírito quando "creram" (v. 2). Isto mostra pelo menos que ele sabia que eles diziam serem crentes. Mas também dá a impressão de que, por alguma razão, ele duvidava da veracidade da sua fé, senão de forma alguma teria feito a pergunta. Já vimos que ele é consistente em ensinar que o Espírito é concedido aos que crêem. Como então, ele poderia ter feito esta pergunta, a não ser que algo o fizesse suspeitar de que a vida cristã deles não era real, bem como sua profissão de fé?
Os acontecimentos mostraram que sua suspeita tinha fundamento. Podemos verificar as seguintes constatações: a) Em resposta à sua pergunta se eles tinham recebido o Espírito, não disseram um simples "sim" ou "não", nem mesmo um "não sei" admirado, mas "nem mesmo ouvimos que existe Espírito Santo" (v. 2); b) Então Paulo imediatamente perguntou-lhes sobre seu batismo (v. 3), porque o batismo na água é em nome da Trindade (Mat. 28:19) e, como veremos, dramatiza, representa o batismo no Espírito. Seu raciocínio era simples: como poderia ter-lhes sido ministrado o batismo cristão, se eles nunca tinham ouvido falar no Espírito Santo? Ele estava correto. Eles não tinham sido balizados; c) O batismo que eles tinham recebido era o de João Batista, provavelmente em resultado do ensino incompleto, de Apolo, que havia visitado Éfeso recentemente (18.24-26).
Então, o que Paulo fez? Ele não procedeu a algum ensino mais elevado ou completo; ele voltou completamente ao princípio, à essência do evangelho. Ele lhes explicou que aquele que viria, em quem João Batista dissera que cressem, na verdade era Jesus (v.4); d) Depois, Paulo os batizou "em o nome do Senhor Jesus" e lhes impôs as mãos, conseqüência de que "veio sobre eles o Espírito Santo", acompanhado de sinais (línguas e profecia), como evidência visível e audível.
Atualmente alguns mestres usam esta história para basear seu ponto de vista de que na experiência cristã normal o dom ou batismo do Espírito é uma segunda experiência, subseqüente, depois da conversão. Entretanto, a história na verdade não pode ser usada neste sentido. Naturalmente não estou negando que estes homens receberam o Espírito quando Paulo os batizou e lhes impôs as mãos. A pergunta é: será que eles eram cristãos antes disto? Vimos que, em certo sentido, eles diziam ser "discípulos".
Mas quem afirmaria seriamente que pessoas que nunca ouviram falar do Espírito Santo, nem foram batizadas no nome de Jesus, nem mesmo aparentemente criam em Jesus, são discípulos cristãos verdadeiros? Certamente ninguém. Se eles eram discípulos de alguém, então o eram de Apolo e João Batista. Não eram cristãos claramente convertidos. Com certeza, eles não podem ser considerados cristãos típicos nos dias de hoje.
Outros expositores chamam a atenção para a seqüência de eventos: fé em Jesus, batismo em nome de Jesus, imposição de mãos por Paulo, vinda do Espírito Santo. Estes enfatizam que o Espírito veio sobre os efésios, não só depois de terem crido, mas também depois de terem sido batizados e recebido a imposição de mãos. Realmente foi assim; mas eu, pessoalmente, não creio que a ordem tem muita importância. Para mim, o que realmente importa é que todos os quatro elementos estão unidos e não podem ser separados. Eles eram partes distintas de uma única iniciação em Cristo, feita com batismo e imposição de mãos (exteriormente), e com a fé e o dom do Espírito (interiormente). (Batismo e Plenitude do Espírito Santo – J.R.W.Stott Pg. 42)

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